O meu Eu

Assustei-me! Apanhei um dos maiores sustos da minha vida. Não com uma pessoa. Com o meu corpo. A minha força tinha desaparecido. Tantos projetos em andamento, o trabalho, os filhos, a casa, os jovens que acompanhava. Tanto para fazer e o meu corpo inerte. Não respondia. Só doía e recusava-se a avançar. Não conhecia esta sensação. Apenas sabia que só podia parar depois… mais à frente… agora não tinha tempo. Não podia. Estava muito ocupada em (sobre)viver.

Até o meu sistema desligar. Como se tivesse puxado uma ficha da tomada e tudo começasse a deixar de funcionar. Programa por programa.

Estava há demasiado tempo com bateria fraca… mas não via isso… não tinha tempo para ver e sentir estas coisas. Estava tão atarefada que fui apanhada de surpresa. O meu corpo estava a desligar. Queria desligar porque me faltava tempo. Tempo para estar comigo. Para me ver, ouvir e sentir. Para me conectar ao aqui e agora, a mim própria.

Conectar é ligar. Quando nos ligamos ao nosso Eu interior, ganhamos energia. Então e porque é que não nos ligamos?

Existem muitas respostas a esta pergunta, mas a que me faz sentido é porque não somos ensinados a isso. Aprendemos que devemos ser boas pessoas, boas profissionais, boas mães, boas donas-de-casa, boas esposas, boas filhas, mas nunca boas connosco próprias. É um conceito que não conhecemos e que achamos uma perda de tempo.
Sim, leste bem. Acreditamos que tratar de nós é uma perda de tempo. Acreditamos que existem coisas bem mais importantes na vida. E vamos esgotando o nosso pote do “Eu”, dia após dia, mês após mês, ano após ano.

É como se andássemos em viagem num carro sem nunca parar para abastecer, pois não temos tempo. A paragem é inevitável.

Então e como é que nos conectamos connosco a fim de evitar essa paragem? É muito simples! Desde a nossa infância que adoramos fazer algumas coisas que nos fazem esquecer do tempo. Pura e simplesmente esquecemo-nos das horas. Coisas simples. Muito simples.
Para mim por exemplo é estar perto do mar. Perco-me a contar as ondas, a ouvir o barulho da rebentação, a sentir o cheiro a mar que me trás sempre memórias queridas. Observo as pessoas que passeiam na praia. Imagino as suas histórias. Tenho ideias novas. Na verdade energizo-me ali.

Para conseguires aumentar o teu desempenho (independentemente da área) tens que te conectar contigo, regularmente. Para te conectares precisas de tempo. Para teres tempo, precisas escolher bem o que fazes com o tempo que tens.

Ou escolhes parar frequentemente para abasteceres o teu carro … ou o carro vai parar por si, em qualquer lado, quando calhar. E o tempo despendido para solucionar esse problema, será bem maior.

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